Terça-feira, Novembro 24, 2009

Christmas is all around... (2)


Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Christmas is all around...



Micro-árvore de natal na minha mesa do escritório. Só falta decorar...

Domingo, Novembro 22, 2009

Just Two Strangers in a Train

Estava me lembrando de um livro que eu li na faculdade, Guerra Civil (Hans Magnus Enzensberger), que tenta explicar a xenofobia com a metafora de um trem, onde duas pessoas podem discutir, mas se algumas estações depois uma nova adentra, as que já ocupavam o vagão terão um sentimento de coesão e repulsa, ao menos inicial, à nova.

Me lembrei dessa história por causa de alguns encontros recentes, com colegas de colégio e faculdade. Um foi com um amigo próximo de ginásio, do qual me afastei no colegial, e a outra uma colega de faculdade. Passados cerca de dez anos, por motivos diversos, encontrei o dois. Interessante perceber como duas pessoas que não tinham mais tanto em comum podem subitamente achar a outra fascinante, ficando tão felizes com o reencontro.

Uma coisa que a minha colega disse, enquanto trocavamos informações sobre outros colegas, aponta para uma possível resposta. Ela comentou como era bom ver os outros colegas bem encaminhados na vida, bem sucedidos. Existe uma certa cumplicidade, a noção de que a outra pessoa conhece o nosso caminho e entende o quanto custou chegar até aqui.

Mas não é só isso, acima de tudo há uma enorme nostalgia de um tempo que não volta mais, de momentos marcados por ingenuidade, menos recursos do que hoje, mas que trocariamos correndo. A outra pessoa é um espelho, um memento, um fóssil de uma pessoa que não somos mais. Mas não me escapa a ironia de ter uma agradável almoço com uma pessoa com quem, dez anos antes, jamais tinha conversado por mais que alguns poucos minutos.

E a grande pergunta, cuja resposta talvez seja irrelevante, é se há dez anos essa pessoa poderia ter sido minha amiga, dada a oportunidade, ou se apenas o tempo e a ausência de qualquer coisa poderia gerar qualquer interesse mútuo.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Wonderland



Já esperando pelo novo filme da Alice, assisti ao fantástico Phoebe in Wonderland ("A menina no País das Maravilhas"), filme independente que por aqui nem passou pelos cinemas, indo diretamente para as locadoras.

Trata-se de uma obra imperdível, emocionante e delicada sem ser piegas, um drama que resgata o mundo infantil pelo lado de dentro. Uma das primeiras lições de fotografia de crianças é se colocar na mesma altura delas, valendo a mesma coisa para os animais, mas a maioria dos filmes com protragonistas mirins falha miseravelmente nessa tarefa. Não aqui, onde temos o mundo pelo olhar de Phoebe, e tudo que é adulto no fundo passa pelo filtro do seu olhar. E pode surpreender a muitos o quanto uma criança consegue ver e compreender.

O fato de eu considerar ela a filha ideal provavelmente diz muito a meu respeito, mas felizmente a falta de detalhamento do CID-10 mais uma vez me salva. A protagonista é Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning, trazendo boas lembranças de I am Sam.

Sexta-feira, Junho 12, 2009


Don't Speak
No Doubt

You and me
We used to be together
Everyday together always
I really feel
That I'm losing my best friend
I can't believe
This could be the end
It looks as though you're letting go
And if it's real
Well I don't want to know

Don't speak
I know just what you're saying
So please stop explaining
Don't tell me cause it hurts
Don't speak
I know what you're thinking
I don't need your reasons
Don't tell me cause it hurts

Our memories
Well, they can be inviting
But some are altogether
Mighty frightening
As we die, both you and I
With my head in my hands
I sit and cry

Don't speak
I know just what you're saying
So please stop explaining
Don't tell me cause it hurts (no, no, no)
Don't speak
I know what you're thinking
I don't need your reasons
Don't tell me cause it hurts

It's all ending
I gotta stop pretending who we are...
You and me I can see us dying...are we?

Don't speak
I know just what you're saying
So please stop explaining
Don't tell me cause it hurts (no, no, no)
Don't speak
I know what you're thinking
I don't need your reasons
Don't tell me cause it hurts
Don't tell me cause it hurts!
I know what you're saying
So please stop explaining

Don't speak,
don't speak,
don't speak,
oh I know what you're thinking
And I don't need your reasons
I know you're good,
I know you're good,
I know you're real good
Oh, la la la la la la La la la la la la
Don't, Don't, uh-huh Hush, hush darlin'
Hush, hush darlin' Hush, hush
don't tell me tell me cause it hurts
Hush, hush darlin' Hush, hush darlin'
Hush, hush don't tell me tell me cause it hurts

Terça-feira, Junho 12, 2007

Sweet valentine


Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Proxy

Nesses tempos bicudos em que a liberdade de expressão está constantemente em perigo os proxys são uma necessidade não só de quem mora na China ou no Irã. Pra quem não sabe um proxy é um servidor que serve de intermediário para permitir o acesso de um usuário a um site que de outra forma não poderia acessar. Para dar um exemplo prático, se você morar na China e o site da anistia internacional for bloqueado, basta acessar por um proxy como esse:

http://www.br.amnesty.org.nyud.net:8090/ basta substituir br.amnesty.org pelo nome de qualquer outro site bloqueado. Sim, qualquer um.

Esse é apenas um exemplo, se for bloqueado existem centenas de milhares de opções. Pessoalmente eu utilizo o Tor que garante o sigilo da minha identidade e da comunicação, com criptografia e três intermediários no caminho, modificados a cada três minutos.

Você também pode carregar num pendrive uma versão do Firefox com o Tor, o Torpark, e acessar a internet com segurança e privacidade em qualquer lugar que for.

E viva a resitência.

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Segurança

Nem todos sabem, mas antes de fazer o que faço (que também nem todos sabem o que seja) trabalhei com internet e segurança de redes. Logo, ainda conheço um ou outro truque, o suficiente pra gerenciar a pequena rede do escritório. Num dado momento de tédio resolvi bloquear o MSN e o Orkut, o que me lembrou do velho problema da segurança de redes.
Sempre que alguém vai definir a segurança de um sistema que ele mesmo usa, a primeira coisa que vai tratar é definir como não se sujeitar a essas regras. Não é preciso dizer que essa "backdoor", como se chama no meio, será o ponto fraco da política de segurança, que não só é conhecido como criado pelo próprio administrador. O que se aplica à informática se aplica a todo o resto. Nos escritórios são implementados cartões de entrada, mas tente impedir a entrada, ou exigir a emissão de uma permissão temporária, do gerente que esqueceu o cartão. Rapidamente é aberta a cancelinha para ele passar.
Todas essas atitudes, aparentemente sem conseqüência, levam a uma redução da segurança do sistema. Infelizmente isso não se aplica apenas aos sistemas privados. Todos querem se ver livres de motoristas malucos ou bêbados, mas não se importam de molhar a mão do guarda. Todos pregam a necessidade de reduzir a carga tributária, mas poucos parecem dispostos a abandonar as suas formas pessoais de reduzir a carga tributária.
Queremos que a polícia seja atuante, mas se ela nos para na rua consideramos aquilo uma verdadeira ofensa. Enfim, queremos regras que se apliquem a todos, menos a nós mesmos.

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

E o carteiro mordeu o cachorro

Segundo aprendi com minha irmã jornalista, notícia é quando o carteiro morde o cachorro, não o contrário. Essa simplista regra geral deveria vir impressa junto com o cartão de assinatura dos jornais. Por que motivo a morte de um motoqueiro por dia em São Paulo não é noticiada? Exatamente porque morre um todo dia. Ao contrário, o que foge ao ordinário merece a capa dos jornais.

Isso gera uma aparente contradição, pois o que ganha destaque não é a realidade, mas a “notícia”, e o excepcional parece normal, ao passo que o casual é apenas ignorado. Para saber que os motoqueiros morrem como moscas o leitor terá de atropelar um ele mesmo.

O sucateamento das redações tem apenas contribuído para o agravamento dessa situação, porque os jornalistas têm cada vez menos tempo ou disposição para definir uma pauta que não seja apenas dirigida pelo fluxo aleatório de “notícias”. A realidade é que mesmo veículos de imprensa “sérios” se parecem cada vez mais com a sessão Popular do site Terra, síntese desse estilo de notícia.

O fato é que modelos não morrem como moscas de anorexia, apesar de existirem em maior número, independente da sua fama. Se por um lado é sempre positivo o interesse geral em hábitos saudáveis, por outro é ridícula a forma como se apresentam as discussões e “soluções” para os supostos problemas que assolariam a profissão. Nessa linha a risível proibição de trabalharem modelos com IMC inferior a 18, que não guarda qualquer relação com a realidade.

Segundo essa conta Maria Sharapova, campeã de Wimbledon e do US Open, não poderia desfilar, pois tem um IMC inferior (16.7), assim como boa parte das maratonistas. Obviamente, se alguém sustenta ser possível a uma pessoa com anorexia completar um Grand Slam ou uma maratona, sugiro a leitura de qualquer manual de bioquímica básica.

No seu magnífico Freakonomics Steven Levitt demonstra que é mais perigoso ter em casa uma piscina do que uma arma, ou que você correria mais risco de morrer vendendo drogas na rua em Chicago do que estando no corredor da morte no Texas. Nossa percepção já é falha, pois somos péssimo avaliadores de risco, e a imprensa atua como um potente deformador. Nos preocupamos com o carteiro louco que mordeu o cachorro, pedimos providências, mas o cachorro continua mordendo o carteiro impunemente.

Vendo as capas das revistas desta semana na fila do mercado só consegui pensar no “A hora da estrela”, especialmente em seu final.

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

O porta-notas

No mini feriado aproveitei para subir a serra e aproveitar Campos livre dos paulistanos. Especialmente pelo fato de não estar dirigindo a viagem de um dia foi divertida, com direito a um massacre gastronômico no Chá do Toriba. E, claro, como ninguém é de ferro, algumas comprinhas.
Seguindo meu ritual entrei na loja e pedi um porta-notas. Após a longa exposição das diversas opções escolhi um, quando a vendedora anotou que era parecido com o meu atual. Prontamente a corrigi: parecido não, igual. Da mesma forma preciso ir com urgência para Buenos Aires para comprar um novo mocassim Guido, logicamente idêntico, porque o meu fiel amigo está apresentando um preocupante buraco na sola.
Quando roubaram meu carro ano passado minha maior perda foram os óculos escuros, que nunca consegui encontrar iguais. Até hoje reclamo disso. Em Paris tentei encontrar outro igual, mas após o descrever a vendedora disse: nossa, eu sei qual é esse óculos, mas não tenho mais. você comprou isso faz muitos anos, né? Realmente. Não preciso dizer que o carro novo era o mesmo, mesma cor, com as novidades do ano que obviamente eu não gostei. Quase troquei as rodas novas por as achar estranhas.
Enfim, sou apegado ao que dá certo, que é confortável, que estou acostumado, o que é uma heresia na sociedade de consumo. Nela ninguém deveria ter os mesmos óculos escuros por mais que 1 ano, ou usar um sapato feito da mesma forma há mais de meio século. Infelizmente meu choque com a sociedade de consumo vai além dos sapatos.
O modelo de consumo hoje se tornou prevalente também nas relações pessoais. Os relacionamentos são instantâneos e efêmeros, tanto quanto baixas são as expectativas. O ficar nesse sentido é apenas a manifestação do modelo consumista que impera no restante de nossa vida. Nos vendemos como objetos e tratamos os outros como tal. Dentro desse contexto é absolutamente fútil esperar qualquer continuidade e estabilidade. Como os objetos descartáveis e de construção cada vez mais frágil, também os relacionamentos humanos recebem o investimento mínimo necessário para a sua determinada duração.
Vivemos num mundo em que as páginas do orkut registram mais de mil amigos, em que a palavra amigo se refere inclusive a quem nunca se viu na frente. Num mundo em que as considerações de Mr. Darcy em Orgulho e Preconceito, sobre a inconveniência do comportamento dos familiares de Elizabeth, não fazem mais sentido porque as construções não são feitas para durar mais que um verão.
Curiosamente é mais fácil derrotar a sociedade de consumo nos objetos do que é com as pessoas.

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

Eu vou tirar você desse lugar

Acabei de ficar uns 10 minutos ouvindo repetida a seguinte estrofe da canção de Odair José:
"Eu vou tirar você desse lugar. Eu vou levar você pra ficar comigo"
Quem não conhece a música, pode verificar no link acima a letra completa. Para quem conhece a letra, não se tratava de uma tentativa de lavagem cerebral dos clientes de alguma casa suspeita, mas a espera do atendimento do Credicard Citibank.
A nova campanha publicitária do cartão tem essa música como tema, mas na prática só as duas frases que eu citei aparecem na propaganda. O curioso é que a música, claramente, trata do cantor dizendo que vai tirar a meretriz da zona para se casar com ela. Já no lançamento da campanha o publicitário se apressou em afastar essa leitura como equivocada, dizendo que tinha um livro que mostrava outra inspiração. Bobagem, o próprio Odair em recente entrevista ao JT confirma o significado, que ademais é tão claro que não carece de explicações.
Agora, a questão é: na campanha, quem é a puta? Considerando que a campanha é "Você sob nova direção", só posso concluir que a puta somos nós, e que o Credicard Citi vai nos tirar deste lugar.

Segunda-feira, Outubro 09, 2006

Debate

"Trocamos palavras mesquinhas. Eu fiquei com as dele e ele ficou com as minhas."

Millôr Fernandes

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Nada de debate

Pura perda de tempo os candidatos participarem de debates no segundo turno, pois até hoje não vi um debate onde se discutisse idéias para o país. O único debate de verdade foi o presidencial do The West Wing, inclusive transmitido ao vivo, que me fez querer votar no Alan Alda. Mas, como não podemos esperar de nenhum dos presidenciáveis essa mesma performance, o negócio é ir direto pro plano B.
No lugar de um debate temos de providenciar algo mais próximo da população brasileira e que tenha algum objetivo real, diferenciando os candidatos. O meu plano é um reality show em que os dois candidatos terão de sobreviver com R$ 350,00 por mês. Para participar os dois candidatos abririam mão das suas caras campanhas, recebendo em troca as câmeras em tempo integral. Se algum deles conseguir a proeza, certamente estará capacitado e habilitado para gerenciar o país.

Segunda-feira, Outubro 02, 2006

Espumante Gaúcho

Em homenagem aos gaúchos nem comemorei com Pol Roger. E por falar em RS, será que o Ibope vai subir a margem de erro para 10%? Só para lembrar, em 2002 o Serra teve apenas 23,2% no primeiro turno, e mesmo no segundo teve apenas 38,73%, menos do que Alckmin no primeiro turno concorrendo contra um Presidente que tenta a reeleição. Agora ninguém pode prever mais nada.

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Power Point

A Wired costuma fazer uma eleição anual de Vaporware, escolhendo as promessas mais furadas do ano no mundo da informática. Sempre apontado como um dos maiores culpados é o PowerPoint, citado jocosamente como uma linguagem de programação ou programa de engenharia. Seu concorrente desenvolveu um produto melhor? Simples, abra o PowerPoint e "crie" um produto melhor.
Infelizmente essa mania está se disseminando, com diversos reflexos, inclusive ambientais. Hoje cada vez mais vemos projetos que só existem como PowerPoint. Ao invés de escrever um documento detalhando um projeto, prepare uma apresentação PowerPoint, que é só o que todos vão ver mesmo.
Recebi um "projeto" em PowerPoint pra analisar, que impresso ocupou 40 páginas, e que representa toda a documentação de um projeto de alguns milhões. Quase copiei e colei tudo no word pra facilitar a leitura.
Preciso aprender a usar o PowerPoint, porque escrevendo no Word não vou me fazer entender.

Poluição visual

Será que o projeto da prefeitura vai proibir os meus adesivos?

Terça-feira, Setembro 19, 2006

Engajamento Político

Esse marasmo que eu comentei no post anterior me fez lembrar do passado, de um mais próximo e de um longínquo. O mais próximo remonta à eleição do Fernando Henrique, quando escrevi uma mensagem numa BBS (posso ser blogueiro recente, mas de informática sou rodado) comentando os sentimentos conflitantes em torno da sua eleição. Depois vou procurar a mensagem, porque seria interessante ler o texto original. Mas, em síntese, eu tratava do conflito da esquerda que chega ao poder, mas ao mesmo tempo do gosto amargo das alianças necessárias. Hoje em dia acho que dificilmente alguém qualificaria o governo que ali iniciou como de esquerda. Mas, de qualquer forma, aquele momento teve algum significado, alguma magia.
A eleição do Lula também teve esse lado mágico, uma sensação para os seus eleitores de que aquele era um momento único, quando o nosso Lech Walesa chegava ao poder. Já disse a alguns amigos que o Lula, assim como Walesa, tinha queimado a única oportunidade histórica de um lider operário chegar ao poder. Embora exista uma aparente e curiosa aprovação do governo, é inegável que o sonho acabou e o desgaste do partido é maior que o necessário. Assim como Fernando Henrique logrou se reeleger, também deverá o Lula, mas como o primeiro não continuará com a mesma aura que tinha quando entrou.
Tudo isso, ainda ligando com a apatia, para lembrar o evento mais remoto, ainda da minha infância. Sempre gostei de política, me envolvia muito, lembro da eleição do FHC para prefeito, quando tinha 8 anos, de distribuir folhetos e lamentar a derrota. Com a criação do PSDB me identifiquei imediatamente com o partido e os seu fundadores, sempre atuando nas campanhas. Lembro de na eleição de 89, aos quase 12 anos, pegar o ônibus na Praça da Bandeira, olhando a gigante bandeira lá em cima, e ir até o comitê tucano na 9 de julho. Lá, junto com outros militantes voluntários, pegava materia pra campanha do Covas a presidente. Costumava ficar em frente do Mappin distribuindo o material, conversando com as pessoas, tentando convencer quem dava trela. Lembro de maneira vívida o comício dele no vale do Anhangabaú.
Apesar disso tudo, tenho as minhas dúvidas se sujo o carro pra colocar o adesivo do Alckmin, que não possui o mesmo poder catalisador. Os tempos mudaram e não sou o único que me tornou apático. O mundo está caindo nas primeiras páginas dos jornais e nada aponta que isso vá afetar em um ponto a corrida presidencial. Sem dúvida o Serra teria gerado uma outra batalha, mas não é esse o problema real.
Enfim, não tenho mais estômago pra só assistir, vou sujar meu carro com o adesivo do Alckmin mesmo.

Segunda-feira, Setembro 04, 2006

Eleições 2006

Morar em São Paulo é às vezes uma experiência surreal, e nessa eleição não é diferente. Em São Paulo não temos eleição para governador, até onde consta a eleição presidencial não chegou aqui e nós não temos prefeito. Não é pouca coisa não, quase o sonho de um anarquista.
Por isso fiquei muito surpreso hoje quando saí pra almoçar e encontrei o reaquecimento da economia, alguns cabos eleitorais distribuindo folhetos e adesivos. Aproveitando que o adesivo representa a minha relutante escolha, peguei um juntamente com uns folhetinhos sem graça. Mas foi aí que nasceu a minha dúvida: será que colo o adesivo no meu carro?
Acontece que eu estava viajando outro dia e levei uma fechada, sabe de quem? Desse adesivo mesmo. Fiquei com muita raiva do eleitor em campanha, pensando que quem quer fazer propaganda devia pelo menos ter uma conduta mais urbana. Fiquei imaginando se o motorista refletia a conduta média do eleitor daquele candidato, e como não pude ver nada além do adesivo, é como se o próprio candidato tivesse me fechado.
E aí retorno à pergunta, devo colar o adesivo no meu carro? Acho que não, provavelmente eu perderia mais votos do que ganharia da forma que eu dirijo.

Terça-feira, Agosto 29, 2006

Segura Peão

No final de semana passado fui para Barretos assistir ao final da Festa do Peão, o que não foi muito fácil, considerando que fiquei em Rio Preto e ao final de dois dias tinha rodado 1500 km. Foi uma experiência interessante, a qual eu provavelmente jamais pensei que fosse ter. Sempre considerei o rodeio algo desnecessariamente cruel com os animais, não tão cruel como o boxe, mas ainda assim. Claramente não sou o único a ter essa visão, pois o tempo todo o locutor se apressava em explicar que ali o tratamento não era esse. Deu como principal exemplo da desnecessidade da pressão nos órgãos do animal uma égua que pulou feito o diabo e mandou o peão pra casa na final. Não digo que me convenceu, mas pelo menos fiquei com a mente um pouco mais aberta para conhecer melhor os fatos.
Mas se a crueldade em relação aos animais gera alguma dúvida, em relação aos peões não fiquei com nenhuma. A emoção de estar ali assistindo a apresentação está no risco corporal que eles correm. Certamente um peão com uma apresentação perfeita, controlada, diante de um touro violento, chama a atenção e prende a respiração da platéia por 8 segundos. Mas, da mesma forma capta o nosso imaginário a apresentação do peão que quase acaba nas patas do touro.
Há ali um pouco de arena romana, um certo gosto pelo sangue, inconfessável, de todos os presentes. Obviamente estamos a anos-luz do circo romano e das touradas, e o mesmo que disse do rodeio se pode dizer das corridas de carros.
Mas uma coisa que me impressionou mais ainda que a apresentação propriamente dita foi a ação dos salva-vidas. É inacreditável ver, num momento de real perigo, o salva-vidas se jogando sobre o peão como um guarda costas e o protegendo com seu próprio corpo. Enfim, a arena adequada para o público liberar toda a testosterona hoje tão fora de moda e politicamente incorreta. Para completar não podia faltar um simpático CD de camelô com as músicas mais tocadas na festa, para ouvir na viagem de volta.
Aliás, em homenagem aos barretenses, que parecem estar se preocupando muito com o bem estar dos bois, comprei um belo hamburguer de boi orgânico de Barretos, 1/4 de libra cada, da FriBoi. Acho a coisa mais idiota esse nome, orgânico, que pra mim quer dizer algo próximo de nada. Mas a idéia é muito interessante. O boi, além de comer só pasto (o chamado boi verde), recebe um tratamento apenas com produtos homeopáticos, e outros detalhes que garantem que o processo esteja livre de aditivos desagradáveis. O hamburguer em si, ao contrário do padrão, não tem conservantes sintéticos, corantes e outros aditivos. O único conservante é alecrim, pra lembrar do motivo pelo qual as especiarias eram importantes. A carne é muito boa, com um sabor muito superior ao hamburguer normal, e acredito que supere o meu antigo preferido, Bassi. Pra quem não quer se dar ao trabalho de moer a carne e montar o próprio hamburguer é uma ótima opção.

Terça-feira, Agosto 22, 2006

ProUni

Considerando que as quotas universais (não entendeu? leia a redação do projeto...) não devem sair do papel mesmo, resolvi continuar no tema com outro assunto. Como já disse antes, sou um liberal clássico, motivo pelo qual valorizo acima de tudo a liberdade de escolha, a livre iniciativa. O verdadeiro liberal não adora o mercado, mas essa liberdade, pois o mercado nem sempre a acolhe da melhor maneira, geralmente devido a regulamentação Estatal desnecessária.
O governo anterior (não tenho problema em meter o pau em qualquer governo) adotou uma política de "universalização" do ensino universitário arriscada, baseada num incentivo mesmo exagerado à criação de novos cursos. De uma maneira geral permeava o projeto a idéia de que as boas escolas sobreviveriam e as ruins fechariam as portas, tendo o provão como mecanismo de transparência. A verdade é que ao final houve um sucesso agridoce, pois ocorreu um claro aumento no número de estudantes do ensino superior, mas as arapucas se proliferaram, se aproveitando justamente dos que menos dinheiro tem pra investir em educação.
O governo atual optou por dar prosseguimento a esse processo com o ProUni, programa de bolsa para estudantes de baixa renda na rede particular. O progrma é em princípio bem intencionado, e de fato, no que não inova demais, tem algumas boas idéias. Se é verdade que é preciso investir dinheiro na universidade pública, também é verdade que o custo atual por aluno é muito elevado e nada indica que seria possível aumentar o número de vagas sequer com esse valor. As bolsas fornecidas não precisam ser reembolsadas pelo aluno, podendo ser completas ou de 50%, com a possibilidade de financiamento do saldo pelo FIES.
O programa não parece até, estranhamente, racional? Infelizmente a racionalidade se esgota logo. Ao invés de fornecer um número fixo de bolsas, num dado valor, permitindo que o estudante contemplado escolha a sua universidade, financiando a eventual diferença, são as próprias universidades que determinam que escolas recebem o dinheiro. Surpreso? Eu também.
Não é o aluno que se interessa no ProUni, e ganhando a bolsa procura seu curso predileto, num exercício da sua livre escolha, após avaliar a qualidade dos cursos e o que lhe é mais interessante. Pelo contrário, a universidade, provavelmente porque tem mais vagas do que consegue prencher, ou porque acredita ter vagas ilimitadas, que se inscreve no ProUni para oferecer, digamos 200 vagas. Obviamente, ao contrário do modelo lógico de escolha do aluno, nesse modelo as faculdades com pior qualidade tem grandes incentivos a receber alunos pelo ProUni, pois tem vagas de sobra, ao passo que as boas faculdades podem obter maiores ganhos fora do programa. É todo um sistema que cria e incentiva vagas de qualidade cada vez mais duvidosa. E o pobre aluno, este pouco pode fazer além de disputar as vagas oferecidas, nos cursos oferecidos, tentando não ficar com as piores.
É, enfim uma demonstração perfeita de como jogar dinheiro público no lixo, como utilizar incentivos governamentais para reduzir a qualidade do ensino e dificultar a entrada no mercado de cursos sérios. Por que os governantes, paternalistas, planificadores, insistem em soluções bizonhas que nada tem de mercado? Gastem o mesmo dinheiro, com o mesmo número de bolsas, atendendo o mesmo número de alunos, mas permitam que o "beneficiado" pelo programa escolha, como agente, de qual padoca quer obter a sua educação.
Mas não, o Estado prefere tratar o pobre estudante como gado, negando seu livre arbítrio, sua condição de agente no mercado, e no caminho destruindo o frágil equilíbrio do mercado educacional. A única herança de longo prazo do ProUni será o aumento do fosso de qualidade existente entre o ensino de massa particular e o público, com a bancarota das iniciativas privadas de qualidade.

Domingo, Agosto 20, 2006

Os sem monitor


O meu fiel monitor Sony Trinitron começou a apresentar alguns problemas após 5 anos de serviços prestados. Aproveitando o momento, com a redução drástica dos preços dos montiores LCD, troquei ele por um enorme LG de 19", com entrada digital e outras características high tech. Eu poderia inclusive gastar uns dois posts tratando dos diveros aspectos técnicos envolvidos, comparações com o anterior.
Entretanto, o que motiva esse post é o drama dos meus gatos. Estou eu utilizando o meu novo brinquedo quando um deles sobe animado na mesa. Coloca uma patinha sobre o monitor e olha por cima. Surpresa: o monitor não tem em cima. Dá a volta em torno da tela, cheira. Volta pra frente e continua a olhar desconsolado. Ensaia de novo subir no bicho.
A outra gata veio correndo pra cima da mesa, pulando direto pra cima do monitor, apenas pra bater de fucinho na prateleira, porque o monitor é tão alto que ela não passa entre ele e a prateleira. Nova expedição em volta, para verificar a dura realidade.
O mais interessante é que eles não se conformam, voltam de tempo em tempo pra explorar, como se não conseguissem assimilar a idéia de que um monitor não tenha em cima. Trata-se de uma situação dramática, porque no máximo em cinco anos todos os monitores vão ser LCD e os pobres gatos não vão ter onde se aquecer enquanto cuidam de seus donos.
E a situação não piora só nesse terreno. O antes enorme receptor da NET, super confortável, hoje é minúsculo e o pobre gato pode no máximo o abraçar, como um travesseiro, ou aquecer o traseiro. Será que os engenheiros não pensam nos pobres bichanos?

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Pés de cana

Estava viajando de carro pelo interior paulista ainda bem cedo, sol nascendo enquanto eu seguia pela estrada, quando vi os cortadores de cana chegando pra trabalhar. Olhei pra aquele mar de cana e pra condição horrorosa daqueles trabalhadores e fiquei meio abatido. Me recordo de ter lido há algum tempo de um deles que morreu de exaustão no trabalho.
O problema todo é que para mim a solução é clara: mecanização. Não tenho dúvida que a única alternativa humana para essas questões é a substituição da mão de obra manual, liberando o homem para as tarefas mais nobres. Mas e que fim deve levar o cortador de cana?
E aí fiquei com mais dó deles, quando lembrei quem eram os seu pretensos defensores: um povo muito burro que ainda acha interessante essa dicotomia vazia do século XVIII e por isso se denomina esquerda. Não acredito em manter trabalhos fictícios, ineficientes, porque algum dia as pessoas vão acordar, como na ex-URSS, e descobrir que seus empregos não existiam, eram apenas um faz de conta. Ou, pior ainda, descobrir que seu país é um ficção, no caso de Cuba.
As preocupações ditas sociais muitas vezes escapam à minha compreensão por isso. Se o objetivo for melhorar a condição social, ela deve ser melhorada, não modificada e mantida como num zoológico. E o mercado, fornece alguma solução melhor? Não diria melhor, mas ao menos é solução, coisa que a outra não é. Ao invés de gastar tempo em manter uma realidade ultrapassada, um defensor dos descamisados deveria procurar um novo modelo de trabalho. Um modelo que certamente não se encontra na Carta del Lavoro ainda vigente.
A solução? Vai ser, infelizmente, desagradável, mas sou de vez em quando otimista. O dilúvio serviu pra limpar a atmosfera da terra, permitindo a nossa existência. Nem toda a destruição é ruim, e isso é verdade também pra sociedade. E, como todos os pesares, a expectativa de vida do cortador de cana ainda é maior que a de um rei do século XI. Resta saber como mudar de maneira eficiente, com menos atrito, ao invés de criar resistência às mudanças inevitáveis.

Terça-feira, Agosto 15, 2006

E durma com esse barulho

A minha irmã sempre foi meio distraída, mas estava já um pouco peculiar o número de vezes que tinhamos de repetir uma coisa para ela. Um teste demonstrou que ela tem alguma perda nos graves, aparentemente genética, o que causou alguma preocupação. É que ela frequenta shows de rock sempre, e esse tipo de agressão pode acabar com os agudos também, matando ainda mais a audição dela.
Pois bem, uma pesquisa entre amigos músicos apontou a solução, uma versão mais simples de um produto antes feito sob medida para músicos. O ER-20 é um protetor auditivo de alta fidelidade que, ao contrário dos tampões de silicone e espuma, corta de igual maneira os agudos e os graves, permitindo que se ouça música e a voz humana, tudo apenas mais baixo. Isso é o ideal para um show, aonde as outras alternativas tornam o som imprestável.
Após uma importação direta, comprando pelo site, que transformou um barato produto de R$ 26,00 em mais salgados R$ 80,00 (60% II, 18% IPI, taxa da Infraero, taxa do despachante), recebi dois pares, um pra mim e um pra ela. A performance com música eu testei com o meu receiver, subindo no máximo. Funcionou perfeitamente, permitindo ouvir a música sem agressão ao ouvido e com perda mínima, além de possibilitar uma conversa sem a necessidade de gritar.
Mas onde eles se mostraram ideais foi, por incrível que pareça, na estrada. Lógico que eu estava sozinho, porque ficaria constrangido de dirigir com alguém do lado, que poderia pensar que eu não quero ouvir a sua voz. O som da estrada vira um ruidinho distante, o motor, mesmo nas 6000 RPM, não causa qualquer incômodo. E o som, esse pode ser ouvido como se você estivesse num ambiente completamente silencioso. Fiz um teste e tirei os protetores alguns minutos antes de parar, percebendo como o meu ouvido estranhou a barulheira da estrada. É o cone do silêncio pessoal.
Numa cidade como São Paulo deveríamos andar com eles o tempo todo, mas já imaginou sair por aí com essa ponta colorida saindo da orelha? Eu comprei o transparente, mas mesmo assim acho que ficaria meio estranho. Pra quem tem filhos adolescentes é a minha dica de presente pro dia das crianças. E pra quem é empresário, minha dica de produto para importação e distribuição no Brasil.

Quinta-feira, Agosto 10, 2006

Medidas

Para um homem a escolha de uma lingerie para presente é uma empreitada ao mesmo tempo prazerosa e desesperadora. Primeiramente há a barreira inicial, a loja em si.
Por mais seguro que o potencial comprador seja, a sensação após a entrada na loja é a de ter entrado em um território estranho, venusiano. E mesmo repetindo mentalmente que logicamente outros homens vivem entrando ali para comprar presentes, você tem a necessidade de explicar pra mocinha que vem te atender que aquilo é um presente, viu?
Aí começa a segunda parte, o que você quer. Só Deus sabe o que você quer, metade daquilo você não sabe sequer o nome, o que convida você a uma de duas situações: ou você começa a procurar por um monte de araras, o que parece intimidade demais para um forasteiro, ou você deixa a vendedora fazer aquele escarcéu e mostrar metade da loja para você, num espetáculo que na sua cabeça é acompanhado com atenção por toda a loja.
Então vem a parte de como explicar o que você realmente quer, explicando que aquela peça ficaria melhor na sua avó, e não é exatamente o que você tem em mente.
Muitos eufemismos depois, quando finalmente o potencial comprador chega a algo que lhe apeteça, chega o tormento final. Qual é o tamanho? Num mundo ideal as coisas tem tamanho, em centímetros e até milímetros, mas aqui nesse planeta as medidas são outras. Você saca algumas informações, pra mostrar que fez o dever de casa, mas mesmo assim não fica seguro. Mas 36 é P? E, a obra de engenharia mais incompreensível de todas: o busto. Pra comprar um sutiã realmente a pessoa tem de ser um conhecedor, ou talvez providenciar um modelo em resina. Eu não tenho resistência pra tanto.
Tudo isso para ao final a vendedora, feita a compra, perguntar se é pra presente, o que você não sabe muito bem como interpretar. Mas, enfim, tudo tem as suas recompensas. Ah, foto da Jéssica Pauletto que eu estou procurando há dias um motivo pra postar.

Quarta-feira, Agosto 09, 2006

Celebridades

Primeiro me desculpo com meus poucos mas fiéis leitores pela falta de posts. É que a retomada da minha incipiente vida pessoal está afetando outras atividades menos relevantes. Mas prometo que vou tentar retomar o ritmo, antes que esse blog se torne fantasma.
Mas para quem acredita que eu não existo, e na linha do post photoshopado da franka, resolvi postar os resultados do My Heritage (necessário cadastro gratuito). Esse curioso site pega uma foto sua e compara com um banco de dados de 3200 fotos de celebridades, cuspindo o resultado de com qual você mais se parece. Pois bem, para quem se interessar, o referido site acha que eu me pareço com o Jude Law, Patrick Swayze e a Rachel McAdams, com alguma semelhança com o Benício Del Toro. Faz algum sentido?

Domingo, Julho 23, 2006

Filas

Paulistano ama fila. Mas não é qualquer amor não, trata-se de uma paixão patológica e incontrolável. Ir ao cinema em São Paulo é uma experiência cada vez mais surreal. Se você chegar meia hora antes do horário vai conseguir, no máximo, ingressos para assistir algum filme infantil legendado.
Tudo bem, aí eles inventam a venda antecipada pela internet (por uma módica taxa de serviço), que deveria facilitar a vida do pobre espectador. Mas não, porque as filas começam a se organizar com pelo menos uma hora de antecedência. Eu sinceramente não lembro dessas cerquinhas de fila de banco em cinema quando eu era criança. Agora, mesmo que você compre com antecedência o ingresso, ainda assim vai ter de chegar uma hora antes, sob pena de assistir num lugar que fará você se sentir dentro do filme.
Afora isso você terá de chegar bem antes pra conseguir um lugar pra estacionar, pois apesar do aumento da procura muitos shoppings estão reduzindo a área de estacionamento pra colocar pequenas lojinhas no mesmo lugar. E não pense que a sessão corujão vai te salvar, pois enfrentei a maior fila numa sessão das 23:30.
Ah, mas a tecnologia sempre pode nos ajudar mais um pouco. Alguns cinemas já têm lugares marcados (com um pequeno diferencial no preço), para poupar o pobre espectador. Infelizmente, pelo que sei, só podem ser comprados no local... Mas mesmo que possam ser comprados pela internet, não pensem que os paulistanos vão se acanhar e abandonar a fila.
Qualquer um que pegou um avião em São Paulo sabe que, mesmo com lugares marcados, todos vão se acotovelar e empurrar para entrar no avião, correndo como se esse fosse o último avião a sair do Líbano.

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Critério da auto-classificação

Em homenagem ao bom e velho Einstein segue a minha auto-classificação, já me adiantando ao projeto de lei.

Quotas Racistas

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil:(...) IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, (...) nos termos seguintes:(...)XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos
direitos e liberdades fundamentais;

As quotas racistas nas universidades estão só começando a causar problemas. Bem que eu gostaria de dizer simplesmente que pelo menos o projeto está gerando alguma discussão saudável, mas de saudável a conversa não tem nada. As partes envolvidas estão trocando farpas e não argumentos, e qualquer um que se manifeste em contrário é devidamente patrulhado como racista, e não alguém com uma opinião em contrário.

A questão das quotas engloba três aspectos: um legal, um ético-científico e um simplesmente prático. O debate legal me parece por demais simples. Não é possível que uma lei adote como fundamento para a aplicação de qualquer sanção, positiva ou negativa, os critérios de origem, cor, raça e sexo. E, pelo amor de Deus, não me venham com essa de que é uma discriminação positiva, então permitida. Tudo que gera um privilégio para A também gera uma perda para B. Quem discorda, por favor elabore um modelo lógico e abstrato de lei de quotas que considera constitucional, algo como: se cor A então quotas, se cor B então sistema universal. Só com letras, depois eu escolho o significado das letras, pois a constitucionalidade da proposição, impessoal, não pode depender do significado das letras.

Mas a questão é mais tola. Do ponto de vista ético-científico é fazer uma distinção que não existe, pois a ciência há muito reconheceu que não existe raça. Se o Estatuto Racial de Nuremberg for aprovado, obrigando a identificação por raça no sistema de saúde e documentos oficiais, lutarei até a última instância pra ser classificado como integrante da raça humana. Não que não existam outras, como demonstra a fauna política de Brasília. Uma das maiores “dificuldades” da iniciativa é que no Brasil não existe muito bem definido esse negócio de raça, por isso os infelizes querem forçar essa identificação (conscientização...) através da classificação forçada. Muitas pessoas se consideram brancos, mas em outros países seriam considerados de outras cores. O ponto é que a agenda desse projeto é criar uma divisão na sociedade brasileira que efetivamente não existe.

Aqui só Deus sabe quem é quem. Todo mundo é brasileiro e o taxista é italiano pra torcer na final da copa pra alguém. Falam em 50% de quotas para negros, mas não sei onde eles estão. Ando na rua e não encontro, aliás encontrei mais deles em Paris. Que inveja deles. Agora eu vou ser treinado para me “conscientizar” de quem são “eles”.

No Brasil a questão de genótipo contra fenótipo chega no limite. A mistura para a formação do que é o povo brasileiro é tamanha que somos uma prova da futilidade de classificar, ainda mais de maneira binária, um povo. E, os carecas do ABC que me desculpem, mas quero ver encontrar alguém que não tem um ascendente na áfrica nos últimos 10.000 anos.

Existe racismo, certamente, assim como existe discriminação contra mulheres, jovens e idosos, só para citar alguns. Mas é preciso perceber que não estamos falando de “minorias” (eu adoro quando ouço alguém chamar as mulheres de minorias...), mas do nosso tecido social como um todo que tem de ser tratado de maneira uniforme, não o dividindo ainda mais.

Do ponto de vista prático a coisa talvez seja até pior. Primeiro, a adoção de quotas dentro de um processo seletivo visa privilegiar um candidato que teve uma performance inferior no mecanismo de seleção padronizado. Não adianta querer dourar a pílula, assim como querer ler nisso mais do que existe, pois não se pode dizer que ele tenha um desempenho acadêmico necessariamente menor. Num primeiro momento se sabe apenas que ele vai pior num teste. A questão é: qual a finalidade do teste, e quão eficiente é ele? A finalidade do teste deveria ser selecionar estudantes que terão o melhor desempenho acadêmico. Nada além disso. Quanto à eficiência, ela é questionável, mas sabemos que vestibulares bem feitos, que trabalham com muita análise estatística, atingem em grande parte seu objetivo.

Se a finalidade das quotas for romper os defeitos do vestibular, que estaria impedindo a entrada de estudantes com bom potencial acadêmico, trata-se de uma falácia, pois o teste continuará o mesmo, com seus eventuais vícios. Se o processo de seleção é um problema, ele tem de ser mudado, até porque suas deficiências afetam todas as cores do arco-íris. A adoção de entrevistas, apreciação de currículos e outras técnicas são opções, embora eu continue a preferir a análise objetiva e impessoal dos testes, mesmo com seus defeitos.

Se a finalidade não é essa, e realmente não é, mas permitir a entrada de estudantes com um potencial acadêmico inferior, então temos um conflito entre a finalidade da seleção e o sistema de quotas, principalmente quando se fala de 50% dos alunos, como no projeto de lei.Uma universidade, ao menos uma que tenha muito mais demanda e oferta para justificar as quotas, não é um curso por correspondência que não é afetado pelos seus alunos. A seleção rigorosa determina o nível de um curso tanto quanto a escolha dos professores. Em São Paulo muitos professores dão aula na USP e em outras faculdades particulares, mas reconhecem que a aula que podem dar na USP é muito diferente. Um professor da ECA disse que na USP podia discutir, em outra particular de primeira linha tinha que chamar a atenção dos alunos, e numa terceira tinha de puxar um banquinho e sentar com os alunos e perguntar se queriam ir pro barzinho em frente. O corpo discente de uma universidade é seu maior patrimônio. E alterar de maneira tão drástica os critérios de formação dele terá, necessariamente, um impacto na qualidade do ensino. As particulares de primeira linha, desobrigadas das quotas, certamente ganharão com maior qualidade de alunos, por exemplo, com prejuízo das instituições oficiais.

Por fim, me lembro de um artigo que li na Time há uns dez anos sobre affirmative action. Nele era colocado o problema da desistência muito alta. Alunos muito bons, que poderiam entrar em boas universidades, entravam em outras mais competitivas, como Harvard, e lá acabavam enfrentando problemas e desistindo. Ele ponderava que essa mesma pessoa poderia ser bem sucedida em uma outra ótima universidade em que ele estivesse no topo dos seus pares. Ao que me consta a UERJ (*) e o seu sistema de quotas já conseguiu causar um bom estrago, com a qualidade dos cursos caindo. Não quero nem imaginar no que aconteceria com a USP ou a Unicamp.

(*) Post modificado para corrigir a citação da UFRJ, pois o correto é UERJ.

Quarta-feira, Julho 19, 2006

First Amendment

Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the government for a redress of grievances.

Eu sinceramente não compreendo mais o que se passe no Brasil. Agora uma “legenda” (PSL) está consultando o TSE para saber se blogs podem dar opinião sobre os candidatos. Meu Deus do céu, será que ninguém nesse país tem noção do que são as garantias fundamentais? Como ninguém parece conhecer nossa prolixa constituição vou apelar pra primeira emenda, que de tanto aparecer em filmes é muito mais conhecida.

A completa desconexão entre o povo e a constituição é uma tragédia que está na base da crise política. Quando a constituição alemã foi feita, um verdadeiro primor, tentou refletir o sentimento do povo do que era fundamental, representava essa realidade viva, e por isso mesmo se alterou e se adaptou com o tempo. Da mesma forma a constituição americana passou por um processo evolutivo que representa o estado médio daquela sociedade. E isso pra não falar do Reino Unido, aonde esse sentimento é, naturalmente, não escrito.

No Brasil não, constituição é coisa de político e juiz, não do povo, e política é uma atividade sujeita a um monopólio muito mais severo que o da Petrobrás. Só isso pra explicar que alguém conceba, ainda que em tese, que o meu direito de opinião sobre os candidatos possa ser limitado num blog. O problema é que no Brasil existe uma clara divisão entre quem participa da vida política e quem não participa, e nós somos uns párias que só podem comparecer na urna, bem quietinhos pra não sermos presos por fazer boca de urna. Com o monopólio e a profissionalização da política alguém se surpreende que exista a completa desconexão entre o político e o eleitorado?

Política, no seu sentido mais belo, é uma atividade que todos nós deveríamos praticar, interagindo nos espaços públicos (quais?), trocando opiniões num livre mercado de idéias, gerindo nossas vidas e a sociedade. Por isso a internet assusta tantos governos. Sou um liberal clássico, com alguns flertes com o anarco-capitalismo, e por isso não acredito nem no monopólio do Estado nem que seja ele o grande salvador. Acredito em pessoas e no livre mercado, seja ele de idéias ou de peixes, algo que não existe e não existirá tão cedo em nosso cenário político.

Terça-feira, Julho 18, 2006

Personalidades

Caetano Barreira/Reuters - Lorenzo Merlino
Desde a criação do do Comitê do Apagão (não é a CPI do fim do mundo não), ainda no tempo do FHC, que a categoria de personalidades está consolidada. É só ler o decreto 3.520 para descobrir que "Poderão ser convidados a participar das reuniões da CGSE técnicos, personalidades e representantes de órgãos e entidades públicos e privados". Pois é, as personalidades viraram uma categoria à parte, distinta dos reles mortais desprovidos não de algum atributo da personalidade, mas dela própria. Trata-se de um atributo até mesmo para o exercício de funções públicas. Já imagino a sabatina no Senado: "Mas V. Sa. é realmente uma personalidade, quais as publicações que atestam isso?". Provavelmente seria mais eficiente que as sabatinas atuais, que pretendem testar o conhecimento técnico.

De uma maneira geral não me incomodo com o fato de não ser uma personalidade, apesar das minhas diversas. Meu gosto pela privacidade me impediria de gostar de toda essa exposição. Mas duas vezes por ano isso realmente me irrita: durante o SPFW. Caramba, se até aquela figurinha do BBB x, que nem a mãe lembra mais (afinal a pessoa não queria dividir o dinheiro com a velhinha) consegue ingressos, por que eu não?
Nessas horas fico imaginando qual é o caminho mais curto pra me tornar uma personalidade e, além do Comitê do Apagão, poder assistir o SPFW. Quem sabe defender algum homicida conhecido ou político, algo com bastante exposição na TV. Nem precisava defender, podia rodar nesses programas de variedades e entrevistas metendo o pitaco no caso dos outros. Hum, até é uma idéia. Quem sabe eu não consigo aparecer se disser que sei qual é a "revelação bomba"? Ah, melhor não. Perdi o interesse pela Suzaninha depois que ela engordou. E corro o risco de virar o macaco simão.

Domingo, Julho 16, 2006

Viagem sem destino

Tufão Bilis mata pelo menos 115 pessoas na China
"Chuvas torrenciais e enchentes desencadeadas pelo tufão Bilis mataram pelo menos 115 pessoas no sudeste da China, de acordo com a agência estatal Xinhua." Reuters
Eu hein, quando o Bilis liga o F e sai sem destino a coisa fica preta.

Sábado, Julho 15, 2006

Vida Blogueira

Acho que não nasci pra essa vida blogueira. Desde a primeira vez que o pecus perguntou por que não criava um blog eu respondia: Deus me livre. Mudei de idéia, é verdade, e gostei da experiência de tentar sintetizar algum tema num post, além de obter o retorno, verificar como as pessoas chegam no meu site, etc... Mas continuo em dúvida se tenho paciência pra essa vida.
A franka escreveu lá no blog dela que o post precisa ser diário, de preferência no mesmo horário. Mas meu Deus, como manter essa regularidade? Eu com duas semans de blog já estava burnout... Cogitei algumas possibilidades pra superar a questão. A primeira foi preparar um monte de calhau pra quando eu estiver sem paciência pra escrever. Tenho procurado também fazer anotações de posts pra escrever depois, mas eles acabam não saindo do papel depois.
Por exemplo, hoje, como escrever alguma coisa? Tenho de terminar trabalho que veio passear aqui em casa. Afora os momentos de, digamos, introspecção. Post de ressaca, post depois de um pé... Essa semana só foi salva porque, sem querer, consegui criar um post com uma buzzword que rendeu muitos dividendos. Dos últimos que entraram no meu blog 70% vieram do domínio usp.br, primeiro pelo google e depois por algum email que está circulando nas listas da USP. E o pior é que ainda não consegui descobrir o conteúdo do email.