Terça-feira, Novembro 24, 2009
Segunda-feira, Novembro 23, 2009
Domingo, Novembro 22, 2009
Just Two Strangers in a Train
Me lembrei dessa história por causa de alguns encontros recentes, com colegas de colégio e faculdade. Um foi com um amigo próximo de ginásio, do qual me afastei no colegial, e a outra uma colega de faculdade. Passados cerca de dez anos, por motivos diversos, encontrei o dois. Interessante perceber como duas pessoas que não tinham mais tanto em comum podem subitamente achar a outra fascinante, ficando tão felizes com o reencontro.
Uma coisa que a minha colega disse, enquanto trocavamos informações sobre outros colegas, aponta para uma possível resposta. Ela comentou como era bom ver os outros colegas bem encaminhados na vida, bem sucedidos. Existe uma certa cumplicidade, a noção de que a outra pessoa conhece o nosso caminho e entende o quanto custou chegar até aqui.
Mas não é só isso, acima de tudo há uma enorme nostalgia de um tempo que não volta mais, de momentos marcados por ingenuidade, menos recursos do que hoje, mas que trocariamos correndo. A outra pessoa é um espelho, um memento, um fóssil de uma pessoa que não somos mais. Mas não me escapa a ironia de ter uma agradável almoço com uma pessoa com quem, dez anos antes, jamais tinha conversado por mais que alguns poucos minutos.
E a grande pergunta, cuja resposta talvez seja irrelevante, é se há dez anos essa pessoa poderia ter sido minha amiga, dada a oportunidade, ou se apenas o tempo e a ausência de qualquer coisa poderia gerar qualquer interesse mútuo.
Sexta-feira, Novembro 20, 2009
Wonderland
Trata-se de uma obra imperdível, emocionante e delicada sem ser piegas, um drama que resgata o mundo infantil pelo lado de dentro. Uma das primeiras lições de fotografia de crianças é se colocar na mesma altura delas, valendo a mesma coisa para os animais, mas a maioria dos filmes com protragonistas mirins falha miseravelmente nessa tarefa. Não aqui, onde temos o mundo pelo olhar de Phoebe, e tudo que é adulto no fundo passa pelo filtro do seu olhar. E pode surpreender a muitos o quanto uma criança consegue ver e compreender.
O fato de eu considerar ela a filha ideal provavelmente diz muito a meu respeito, mas felizmente a falta de detalhamento do CID-10 mais uma vez me salva. A protagonista é Elle Fanning, irmã mais nova de Dakota Fanning, trazendo boas lembranças de I am Sam.
Sexta-feira, Junho 12, 2009

Terça-feira, Junho 12, 2007
Terça-feira, Janeiro 09, 2007
Proxy
http://www.br.amnesty.org.nyud.net:8090/ basta substituir br.amnesty.org pelo nome de qualquer outro site bloqueado. Sim, qualquer um.
Esse é apenas um exemplo, se for bloqueado existem centenas de milhares de opções. Pessoalmente eu utilizo o Tor que garante o sigilo da minha identidade e da comunicação, com criptografia e três intermediários no caminho, modificados a cada três minutos.
Você também pode carregar num pendrive uma versão do Firefox com o Tor, o Torpark, e acessar a internet com segurança e privacidade em qualquer lugar que for.
E viva a resitência.
Segunda-feira, Novembro 27, 2006
Segurança
Quarta-feira, Novembro 22, 2006
E o carteiro mordeu o cachorro
Segundo aprendi com minha irmã jornalista, notícia é quando o carteiro morde o cachorro, não o contrário. Essa simplista regra geral deveria vir impressa junto com o cartão de assinatura dos jornais. Por que motivo a morte de um motoqueiro por dia em São Paulo não é noticiada? Exatamente porque morre um todo dia. Ao contrário, o que foge ao ordinário merece a capa dos jornais.Isso gera uma aparente contradição, pois o que ganha destaque não é a realidade, mas a “notícia”, e o excepcional parece normal, ao passo que o casual é apenas ignorado. Para saber que os motoqueiros morrem como moscas o leitor terá de atropelar um ele mesmo.
O sucateamento das redações tem apenas contribuído para o agravamento dessa situação, porque os jornalistas têm cada vez menos tempo ou disposição para definir uma pauta que não seja apenas dirigida pelo fluxo aleatório de “notícias”. A realidade é que mesmo veículos de imprensa “sérios” se parecem cada vez mais com a sessão Popular do site Terra, síntese desse estilo de notícia.
O fato é que modelos não morrem como moscas de anorexia, apesar de existirem em maior número, independente da sua fama. Se por um lado é sempre positivo o interesse geral em hábitos saudáveis, por outro é ridícula a forma como se apresentam as discussões e “soluções” para os supostos problemas que assolariam a profissão. Nessa linha a risível proibição de trabalharem modelos com IMC inferior a 18, que não guarda qualquer relação com a realidade.
Segundo essa conta Maria Sharapova, campeã de Wimbledon e do US Open, não poderia desfilar, pois tem um IMC inferior (16.7), assim como boa parte das maratonistas. Obviamente, se alguém sustenta ser possível a uma pessoa com anorexia completar um Grand Slam ou uma maratona, sugiro a leitura de qualquer manual de bioquímica básica.
No seu magnífico Freakonomics Steven Levitt demonstra que é mais perigoso ter em casa uma piscina do que uma arma, ou que você correria mais risco de morrer vendendo drogas na rua em Chicago do que estando no corredor da morte no Texas. Nossa percepção já é falha, pois somos péssimo avaliadores de risco, e a imprensa atua como um potente deformador. Nos preocupamos com o carteiro louco que mordeu o cachorro, pedimos providências, mas o cachorro continua mordendo o carteiro impunemente.
Vendo as capas das revistas desta semana na fila do mercado só consegui pensar no “A hora da estrela”, especialmente em seu final.
Quinta-feira, Novembro 16, 2006
O porta-notas
No mini feriado aproveitei para subir a serra e aproveitar Campos livre dos paulistanos. Especialmente pelo fato de não estar dirigindo a viagem de um dia foi divertida, com direito a um massacre gastronômico no Chá do Toriba. E, claro, como ninguém é de ferro, algumas comprinhas.Segunda-feira, Novembro 13, 2006
Eu vou tirar você desse lugar
"Eu vou tirar você desse lugar. Eu vou levar você pra ficar comigo"
Segunda-feira, Outubro 09, 2006
Debate
"Trocamos palavras mesquinhas. Eu fiquei com as dele e ele ficou com as minhas."
Millôr Fernandes
Terça-feira, Outubro 03, 2006
Nada de debate
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
Espumante Gaúcho
Em homenagem aos gaúchos nem comemorei com Pol Roger. E por falar em RS, será que o Ibope vai subir a margem de erro para 10%? Só para lembrar, em 2002 o Serra teve apenas 23,2% no primeiro turno, e mesmo no segundo teve apenas 38,73%, menos do que Alckmin no primeiro turno concorrendo contra um Presidente que tenta a reeleição. Agora ninguém pode prever mais nada.Sexta-feira, Setembro 22, 2006
Power Point
Terça-feira, Setembro 19, 2006
Engajamento Político
Segunda-feira, Setembro 04, 2006
Eleições 2006
Por isso fiquei muito surpreso hoje quando saí pra almoçar e encontrei o reaquecimento da economia, alguns cabos eleitorais distribuindo folhetos e adesivos. Aproveitando que o adesivo representa a minha relutante escolha, peguei um juntamente com uns folhetinhos sem graça. Mas foi aí que nasceu a minha dúvida: será que colo o adesivo no meu carro?
Acontece que eu estava viajando outro dia e levei uma fechada, sabe de quem? Desse adesivo mesmo. Fiquei com muita raiva do eleitor em campanha, pensando que quem quer fazer propaganda devia pelo menos ter uma conduta mais urbana. Fiquei imaginando se o motorista refletia a conduta média do eleitor daquele candidato, e como não pude ver nada além do adesivo, é como se o próprio candidato tivesse me fechado.
Terça-feira, Agosto 29, 2006
Segura Peão
No final de semana passado fui para Barretos assistir ao final da Festa do Peão, o que não foi muito fácil, considerando que fiquei em Rio Preto e ao final de dois dias tinha rodado 1500 km. Foi uma experiência interessante, a qual eu provavelmente jamais pensei que fosse ter. Sempre considerei o rodeio algo desnecessariamente cruel com os animais, não tão cruel como o boxe, mas ainda assim. Claramente não sou o único a ter essa visão, pois o tempo todo o locutor se apressava em explicar que ali o tratamento não era esse. Deu como principal exemplo da desnecessidade da pressão nos órgãos do animal uma égua que pulou feito o diabo e mandou o peão pra casa na final. Não digo que me convenceu, mas pelo menos fiquei com a mente um pouco mais aberta para conhecer melhor os fatos.Terça-feira, Agosto 22, 2006
ProUni
Domingo, Agosto 20, 2006
Os sem monitor

O meu fiel monitor Sony Trinitron começou a apresentar alguns problemas após 5 anos de serviços prestados. Aproveitando o momento, com a redução drástica dos preços dos montiores LCD, troquei ele por um enorme LG de 19", com entrada digital e outras características high tech. Eu poderia inclusive gastar uns dois posts tratando dos diveros aspectos técnicos envolvidos, comparações com o anterior.
Quinta-feira, Agosto 17, 2006
Pés de cana
Estava viajando de carro pelo interior paulista ainda bem cedo, sol nascendo enquanto eu seguia pela estrada, quando vi os cortadores de cana chegando pra trabalhar. Olhei pra aquele mar de cana e pra condição horrorosa daqueles trabalhadores e fiquei meio abatido. Me recordo de ter lido há algum tempo de um deles que morreu de exaustão no trabalho.O problema todo é que para mim a solução é clara: mecanização. Não tenho dúvida que a única alternativa humana para essas questões é a substituição da mão de obra manual, liberando o homem para as tarefas mais nobres. Mas e que fim deve levar o cortador de cana?
E aí fiquei com mais dó deles, quando lembrei quem eram os seu pretensos defensores: um povo muito burro que ainda acha interessante essa dicotomia vazia do século XVIII e por isso se denomina esquerda. Não acredito em manter trabalhos fictícios, ineficientes, porque algum dia as pessoas vão acordar, como na ex-URSS, e descobrir que seus empregos não existiam, eram apenas um faz de conta. Ou, pior ainda, descobrir que seu país é um ficção, no caso de Cuba.
As preocupações ditas sociais muitas vezes escapam à minha compreensão por isso. Se o objetivo for melhorar a condição social, ela deve ser melhorada, não modificada e mantida como num zoológico. E o mercado, fornece alguma solução melhor? Não diria melhor, mas ao menos é solução, coisa que a outra não é. Ao invés de gastar tempo em manter uma realidade ultrapassada, um defensor dos descamisados deveria procurar um novo modelo de trabalho. Um modelo que certamente não se encontra na Carta del Lavoro ainda vigente.
A solução? Vai ser, infelizmente, desagradável, mas sou de vez em quando otimista. O dilúvio serviu pra limpar a atmosfera da terra, permitindo a nossa existência. Nem toda a destruição é ruim, e isso é verdade também pra sociedade. E, como todos os pesares, a expectativa de vida do cortador de cana ainda é maior que a de um rei do século XI. Resta saber como mudar de maneira eficiente, com menos atrito, ao invés de criar resistência às mudanças inevitáveis.
Terça-feira, Agosto 15, 2006
E durma com esse barulho
A minha irmã sempre foi meio distraída, mas estava já um pouco peculiar o número de vezes que tinhamos de repetir uma coisa para ela. Um teste demonstrou que ela tem alguma perda nos graves, aparentemente genética, o que causou alguma preocupação. É que ela frequenta shows de rock sempre, e esse tipo de agressão pode acabar com os agudos também, matando ainda mais a audição dela.Quinta-feira, Agosto 10, 2006
Medidas
Para um homem a escolha de uma lingerie para presente é uma empreitada ao mesmo tempo prazerosa e desesperadora. Primeiramente há a barreira inicial, a loja em si.Aí começa a segunda parte, o que você quer. Só Deus sabe o que você quer, metade daquilo você não sabe sequer o nome, o que convida você a uma de duas situações: ou você começa a procurar por um monte de araras, o que parece intimidade demais para um forasteiro, ou você deixa a vendedora fazer aquele escarcéu e mostrar metade da loja para você, num espetáculo que na sua cabeça é acompanhado com atenção por toda a loja.
Então vem a parte de como explicar o que você realmente quer, explicando que aquela peça ficaria melhor na sua avó, e não é exatamente o que você tem em mente.
Muitos eufemismos depois, quando finalmente o potencial comprador chega a algo que lhe apeteça, chega o tormento final. Qual é o tamanho? Num mundo ideal as coisas tem tamanho, em centímetros e até milímetros, mas aqui nesse planeta as medidas são outras. Você saca algumas informações, pra mostrar que fez o dever de casa, mas mesmo assim não fica seguro. Mas 36 é P? E, a obra de engenharia mais incompreensível de todas: o busto. Pra comprar um sutiã realmente a pessoa tem de ser um conhecedor, ou talvez providenciar um modelo em resina. Eu não tenho resistência pra tanto.
Tudo isso para ao final a vendedora, feita a compra, perguntar se é pra presente, o que você não sabe muito bem como interpretar. Mas, enfim, tudo tem as suas recompensas. Ah, foto da Jéssica Pauletto que eu estou procurando há dias um motivo pra postar.
Quarta-feira, Agosto 09, 2006
Celebridades
Domingo, Julho 23, 2006
Filas
Sexta-feira, Julho 21, 2006
Quotas Racistas
Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil:(...) IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo,
cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, (...) nos termos seguintes:(...)XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos
direitos e liberdades fundamentais;
As quotas racistas nas universidades estão só começando a causar problemas. Bem que eu gostaria de dizer simplesmente que pelo menos o projeto está gerando alguma discussão saudável, mas de saudável a conversa não tem nada. As partes envolvidas estão trocando farpas e não argumentos, e qualquer um que se manifeste em contrário é devidamente patrulhado como racista, e não alguém com uma opinião em contrário.
A questão das quotas engloba três aspectos: um legal, um ético-científico e um simplesmente prático. O debate legal me parece por demais simples. Não é possível que uma lei adote como fundamento para a aplicação de qualquer sanção, positiva ou negativa, os critérios de origem, cor, raça e sexo. E, pelo amor de Deus, não me venham com essa de que é uma discriminação positiva, então permitida. Tudo que gera um privilégio para A também gera uma perda para B. Quem discorda, por favor elabore um modelo lógico e abstrato de lei de quotas que considera constitucional, algo como: se cor A então quotas, se cor B então sistema universal. Só com letras, depois eu escolho o significado das letras, pois a constitucionalidade da proposição, impessoal, não pode depender do significado das letras.
Mas a questão é mais tola. Do ponto de vista ético-científico é fazer uma distinção que não existe, pois a ciência há muito reconheceu que não existe raça. Se o Estatuto Racial de Nuremberg for aprovado, obrigando a identificação por raça no sistema de saúde e documentos oficiais, lutarei até a última instância pra ser classificado como integrante da raça humana. Não que não existam outras, como demonstra a fauna política de Brasília. Uma das maiores “dificuldades” da iniciativa é que no Brasil não existe muito bem definido esse negócio de raça, por isso os infelizes querem forçar essa identificação (conscientização...) através da classificação forçada. Muitas pessoas se consideram brancos, mas em outros países seriam considerados de outras cores. O ponto é que a agenda desse projeto é criar uma divisão na sociedade brasileira que efetivamente não existe.
Aqui só Deus sabe quem é quem. Todo mundo é brasileiro e o taxista é italiano pra torcer na final da copa pra alguém. Falam em 50% de quotas para negros, mas não sei onde eles estão. Ando na rua e não encontro, aliás encontrei mais deles em Paris. Que inveja deles. Agora eu vou ser treinado para me “conscientizar” de quem são “eles”.
No Brasil a questão de genótipo contra fenótipo chega no limite. A mistura para a formação do que é o povo brasileiro é tamanha que somos uma prova da futilidade de classificar, ainda mais de maneira binária, um povo. E, os carecas do ABC que me desculpem, mas quero ver encontrar alguém que não tem um ascendente na áfrica nos últimos 10.000 anos.
Existe racismo, certamente, assim como existe discriminação contra mulheres, jovens e idosos, só para citar alguns. Mas é preciso perceber que não estamos falando de “minorias” (eu adoro quando ouço alguém chamar as mulheres de minorias...), mas do nosso tecido social como um todo que tem de ser tratado de maneira uniforme, não o dividindo ainda mais.
Do ponto de vista prático a coisa talvez seja até pior. Primeiro, a adoção de quotas dentro de um processo seletivo visa privilegiar um candidato que teve uma performance inferior no mecanismo de seleção padronizado. Não adianta querer dourar a pílula, assim como querer ler nisso mais do que existe, pois não se pode dizer que ele tenha um desempenho acadêmico necessariamente menor. Num primeiro momento se sabe apenas que ele vai pior num teste. A questão é: qual a finalidade do teste, e quão eficiente é ele? A finalidade do teste deveria ser selecionar estudantes que terão o melhor desempenho acadêmico. Nada além disso. Quanto à eficiência, ela é questionável, mas sabemos que vestibulares bem feitos, que trabalham com muita análise estatística, atingem em grande parte seu objetivo.
Se a finalidade das quotas for romper os defeitos do vestibular, que estaria impedindo a entrada de estudantes com bom potencial acadêmico, trata-se de uma falácia, pois o teste continuará o mesmo, com seus eventuais vícios. Se o processo de seleção é um problema, ele tem de ser mudado, até porque suas deficiências afetam todas as cores do arco-íris. A adoção de entrevistas, apreciação de currículos e outras técnicas são opções, embora eu continue a preferir a análise objetiva e impessoal dos testes, mesmo com seus defeitos.
Se a finalidade não é essa, e realmente não é, mas permitir a entrada de estudantes com um potencial acadêmico inferior, então temos um conflito entre a finalidade da seleção e o sistema de quotas, principalmente quando se fala de 50% dos alunos, como no projeto de lei.Uma universidade, ao menos uma que tenha muito mais demanda e oferta para justificar as quotas, não é um curso por correspondência que não é afetado pelos seus alunos. A seleção rigorosa determina o nível de um curso tanto quanto a escolha dos professores. Em São Paulo muitos professores dão aula na USP e em outras faculdades particulares, mas reconhecem que a aula que podem dar na USP é muito diferente. Um professor da ECA disse que na USP podia discutir, em outra particular de primeira linha tinha que chamar a atenção dos alunos, e numa terceira tinha de puxar um banquinho e sentar com os alunos e perguntar se queriam ir pro barzinho em frente. O corpo discente de uma universidade é seu maior patrimônio. E alterar de maneira tão drástica os critérios de formação dele terá, necessariamente, um impacto na qualidade do ensino. As particulares de primeira linha, desobrigadas das quotas, certamente ganharão com maior qualidade de alunos, por exemplo, com prejuízo das instituições oficiais.
Por fim, me lembro de um artigo que li na Time há uns dez anos sobre affirmative action. Nele era colocado o problema da desistência muito alta. Alunos muito bons, que poderiam entrar em boas universidades, entravam em outras mais competitivas, como Harvard, e lá acabavam enfrentando problemas e desistindo. Ele ponderava que essa mesma pessoa poderia ser bem sucedida em uma outra ótima universidade em que ele estivesse no topo dos seus pares. Ao que me consta a UERJ (*) e o seu sistema de quotas já conseguiu causar um bom estrago, com a qualidade dos cursos caindo. Não quero nem imaginar no que aconteceria com a USP ou a Unicamp.
(*) Post modificado para corrigir a citação da UFRJ, pois o correto é UERJ.
Quarta-feira, Julho 19, 2006
First Amendment
Congress shall make no law respecting an establishment of religion, or prohibiting the free exercise thereof; or abridging the freedom of speech, or of the press; or the right of the people peaceably to assemble, and to petition the government for a redress of grievances.
Eu sinceramente não compreendo mais o que se passe no Brasil. Agora uma “legenda” (PSL) está consultando o TSE para saber se blogs podem dar opinião sobre os candidatos. Meu Deus do céu, será que ninguém nesse país tem noção do que são as garantias fundamentais? Como ninguém parece conhecer nossa prolixa constituição vou apelar pra primeira emenda, que de tanto aparecer em filmes é muito mais conhecida.
A completa desconexão entre o povo e a constituição é uma tragédia que está na base da crise política. Quando a constituição alemã foi feita, um verdadeiro primor, tentou refletir o sentimento do povo do que era fundamental, representava essa realidade viva, e por isso mesmo se alterou e se adaptou com o tempo. Da mesma forma a constituição americana passou por um processo evolutivo que representa o estado médio daquela sociedade. E isso pra não falar do Reino Unido, aonde esse sentimento é, naturalmente, não escrito.
No Brasil não, constituição é coisa de político e juiz, não do povo, e política é uma atividade sujeita a um monopólio muito mais severo que o da Petrobrás. Só isso pra explicar que alguém conceba, ainda que em tese, que o meu direito de opinião sobre os candidatos possa ser limitado num blog. O problema é que no Brasil existe uma clara divisão entre quem participa da vida política e quem não participa, e nós somos uns párias que só podem comparecer na urna, bem quietinhos pra não sermos presos por fazer boca de urna. Com o monopólio e a profissionalização da política alguém se surpreende que exista a completa desconexão entre o político e o eleitorado?
Política, no seu sentido mais belo, é uma atividade que todos nós deveríamos praticar, interagindo nos espaços públicos (quais?), trocando opiniões num livre mercado de idéias, gerindo nossas vidas e a sociedade. Por isso a internet assusta tantos governos. Sou um liberal clássico, com alguns flertes com o anarco-capitalismo, e por isso não acredito nem no monopólio do Estado nem que seja ele o grande salvador. Acredito em pessoas e no livre mercado, seja ele de idéias ou de peixes, algo que não existe e não existirá tão cedo em nosso cenário político.
Terça-feira, Julho 18, 2006
Personalidades

Desde a criação do do Comitê do Apagão (não é a CPI do fim do mundo não), ainda no tempo do FHC, que a categoria de personalidades está consolidada. É só ler o decreto 3.520 para descobrir que "Poderão ser convidados a participar das reuniões da CGSE técnicos, personalidades e representantes de órgãos e entidades públicos e privados". Pois é, as personalidades viraram uma categoria à parte, distinta dos reles mortais desprovidos não de algum atributo da personalidade, mas dela própria. Trata-se de um atributo até mesmo para o exercício de funções públicas. Já imagino a sabatina no Senado: "Mas V. Sa. é realmente uma personalidade, quais as publicações que atestam isso?". Provavelmente seria mais eficiente que as sabatinas atuais, que pretendem testar o conhecimento técnico.
Domingo, Julho 16, 2006
Viagem sem destino
"Chuvas torrenciais e enchentes desencadeadas pelo tufão Bilis mataram pelo menos 115 pessoas no sudeste da China, de acordo com a agência estatal Xinhua." Reuters






